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Escorpiões  

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"A picada do escorpião amarelo (Tityus serruíatus) em crianças de pouca idade, e conseqüentemente pouco peso, pode evoluir rapidamente para a intoxicação muito grave. A picada do escorpião preto (Tityus bahien~ é muito dolorosa, mas dificilmente mata WOLFGANG BÜCHERL)".

"Todos os casos de acidente escorpiônicos devem permanecer em observação hospitalar por um período mínimo de 6 horas, mesmo os benignos, principalmente as crianças".

Há muitos milhões de anos atrás, quando nosso planeta tornou-se capaz de sustentar formas de vida superiores em terra firme, um dos primeiros animais a arriscar sua sorte fora da água protetora, foi um invertebrado do grupo dos artrópodos, ou seja, com patas e outros apêndices articulados. Esse pioneiro na conquista da terra firme mostrou-se desde logo, um campeão de sobrevivência. Era o escorpião que assistiu incólume à grandes transformações da superfície da Terra, à mudanças climáticas inimagináveis, ao surgimento e desaparição de enormes grupos de vegetais e animais, como os grandes répteis, por exemplo. Desde o período Siluriano, quando os escorpiões deixaram a água para viver no solo em contato com o ár, passaram-se nada menos que 400 milhões de anos e nesse lapso de tempo todo, esses artrópodos praticamente não sofreram modificações muito profundas em sua estrutura corporal. E foi só neste último milhão de anos é que o escorpião travou contato com outro animal bem sucedido, o homem.

Falando em animal bem sucedido, hoje já são reconhecidas cerca de 1.400 espécies e subespécies de escorpiões, distribuídas em116 gêneros diferentes. Nada mal para quem foi o primeiro!

Não há um só continente, exceto a Antártida, onde não sejam encontrados os escorpiões. Contrariamente ao que se acredita, eles não estão confinados às regiões de climas tropicais e subtropicais. Podem ser achados nos Alpes suíços, nas imensas planícies canadenses, infestam pequenas e grandes cidades, abundam na floresta Amazônica, escondem-se entre pedras de desertos como o de Takama no México, Mojave nos Estados Unidos ou Saara na África; proliferam na Oceania, assustam na Ásia, ferroam na Europa. Todavia, apresentam preferência por climas quentes e buscam terrenos mais áridos e pedregosos onde ocorrem com uma grande diversidade de espécies.

No Brasil, os escorpiões, em alguns lugares também chamados de "lacraus", distribuem-se por quase todo o território nacional, variando as espécies principais segundo as regiões. Assim, apenas o gênero Tityus (pronuncia-se "tícius"), aquele de maior importância médica em nosso país, teriamos a seguinte distribuição:

  • Tityus serrulatus: - Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.

  • Tityus bahienses: - de Minas Gerais à Santa Catarina, Mato Grosso do Sul.

  • Tityus stigmurus e Tityus metjendus: - Nordeste.

  • Tityus costatus: - Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Dispersando-se passivamente agarrados aos troncos de árvores levados pelas madeireiras, dentro de caixas e caixotes de madeira, acompanhando alimentos ou objetos, no interior de vagões ferroviários ou de certos tipos de caminhões, junto as cargas, os escorpiões lograram uma admirável penetração em quase todas as áreas do território nacional, não importa em que região estejam situadas. Ativamente, seguem o leito das estradas de ferro e disseminam-se com facilidade.

Dotados de glândulas de veneno e um ferrão pontiagudo localizado no último segmento do metassoma (popularmente chamado de cauda), manejado com destreza, os escorpiões têm provocado incontáveis acidentes com animais domésticos e com seres humanos, às vezes fatais. Os relatórios brasileiros do assunto mostram casos de escorpionismo (acidentes com escorpiões) por todo o território nacional. Só no período compreendido entre 1988 e 1990, foram notificados nada menos que 11.574 acidentes provocados por escorpiões (6.947 só na região Sudeste) com uma mortalidade que alcançou a 94 óbitos (l 5). Contudo, suspeita-se que o número de casos de picadas de escorpião e mesmo de mortes, possa ser substancialmente maior, uma vez que uma grande parte desses acidentes não chega ao conhecimento das autoridades sanitárias. Em algumas localidades dos Estados de Minas Gerais e São Paulo, os casos de escorpionismo são tão freqüentes que se constituem em verdadeiros problemas de saúde pública.

 

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